Então começo a me encontrar no meio de tanta coisa perdida, amontoada e vergonhosa, tenho a necessidade de mostrar que sou transparente, detesto imaginar que as pessoas falem de mim, aquelas pessoas que se dizem amigas, até mesmo os parentes, se acham no direito de meter o dedo na sua vida, dar opiniões, eu não tenho paciência nenhuma pra isso, se eu ouvir, coisa fica feia, ultimamente não tenho paciência pra nada, nem comigo, será que tenho problemas?
Nunca fui normal, minha infância não foi normal, sempre fui muito carente, sempre chorei demais, fiz drama, porque queria chamar atenção da minha mãe, ela não tinha olhos para mim, meu sonho era ser chamada de filha, meu sonho era ter um abraço antes de dormi, tínhamos brigas intensas, muitos tapas na cara, eu as vezes nem sabia porque estava apanhando, me perguntava: Sou pequena, porque estou apanhando no rosto, ela sempre me batia nas pernas, nos braços sempre com o cinto, quando ficava muito nervosa e depois do meu padrasto dizer algumas caraminholas no ouvido dela, era na cara que eu apanhava, as vezes me jogava no chão e fingia que tinha desmaiado, queira que ela pensasse que eu tinha morrido e falasse algo com carinho, pedisse desculpas, mas isso não acontecia, ela dizia: Levanta dai garota, deixa de ser carente!
Como essa frase doía no meu coração, era uma dor tão forte, chegava a lhe desejar a morte, não durava muito tempo esta raiva, logo estava eu atrás dela, elogiando, minha mãe era linda, sempre muito vaidosa, arrumada, cheirosa, ela nunca tecia um elogio a mim, pelo contrário, sempre me dizia que eu era feia, gorda e que ninguém ia me querer, dizia: Olha meu corpo, olha o seu...
Eu sangrava, como amava minha mãe, não entendia porque tamanha rejeição, repetia sempre que eu era muito carente, tantas palavras não saem da minha cabeça, hoje não penso nisso, sei que muitas coisas que deixo de viver são traumas que ainda não resolvi dentro de mim, ouvi tantas vezes que nunca terminava o que eu começava, eu estava na metade do processo, bastava ela dizer que eu não ia conseguir completar e eu jogava tudo pro alto. As pessoas que acompanhavam tudo isso me diziam, já que ela diz que você não é capaz, vai lá e terminar, mostra pra ela que você é capaz, mas eu seguia esse bom conselho.
Sai de casa com 16 anos, fui morar com a minha tia, hoje tenho 27 anos, ela já não está mais entre nós, sinto saudade do bons momentos que passamos juntas depois que me tornei adulta, ainda brigávamos, dessa vez bem menos, ela no canto dela e eu no meu, morro de saudade, uma dor que não tem tamanho, as vezes me pergunto se tudo isso é verdade, com tudo que passei na infância, nada disse é o que lembro, apenas os abraços que consegui, os beijos me ofertou poucas vezes, felicidade de ouvir ela me chamar de filha poucas vezes depois de adulta, o que será que essa história me fez comigo, espero continuar me encontrando dentro desse baú.
Nunca fui normal, minha infância não foi normal, sempre fui muito carente, sempre chorei demais, fiz drama, porque queria chamar atenção da minha mãe, ela não tinha olhos para mim, meu sonho era ser chamada de filha, meu sonho era ter um abraço antes de dormi, tínhamos brigas intensas, muitos tapas na cara, eu as vezes nem sabia porque estava apanhando, me perguntava: Sou pequena, porque estou apanhando no rosto, ela sempre me batia nas pernas, nos braços sempre com o cinto, quando ficava muito nervosa e depois do meu padrasto dizer algumas caraminholas no ouvido dela, era na cara que eu apanhava, as vezes me jogava no chão e fingia que tinha desmaiado, queira que ela pensasse que eu tinha morrido e falasse algo com carinho, pedisse desculpas, mas isso não acontecia, ela dizia: Levanta dai garota, deixa de ser carente!
Como essa frase doía no meu coração, era uma dor tão forte, chegava a lhe desejar a morte, não durava muito tempo esta raiva, logo estava eu atrás dela, elogiando, minha mãe era linda, sempre muito vaidosa, arrumada, cheirosa, ela nunca tecia um elogio a mim, pelo contrário, sempre me dizia que eu era feia, gorda e que ninguém ia me querer, dizia: Olha meu corpo, olha o seu...
Eu sangrava, como amava minha mãe, não entendia porque tamanha rejeição, repetia sempre que eu era muito carente, tantas palavras não saem da minha cabeça, hoje não penso nisso, sei que muitas coisas que deixo de viver são traumas que ainda não resolvi dentro de mim, ouvi tantas vezes que nunca terminava o que eu começava, eu estava na metade do processo, bastava ela dizer que eu não ia conseguir completar e eu jogava tudo pro alto. As pessoas que acompanhavam tudo isso me diziam, já que ela diz que você não é capaz, vai lá e terminar, mostra pra ela que você é capaz, mas eu seguia esse bom conselho.
Sai de casa com 16 anos, fui morar com a minha tia, hoje tenho 27 anos, ela já não está mais entre nós, sinto saudade do bons momentos que passamos juntas depois que me tornei adulta, ainda brigávamos, dessa vez bem menos, ela no canto dela e eu no meu, morro de saudade, uma dor que não tem tamanho, as vezes me pergunto se tudo isso é verdade, com tudo que passei na infância, nada disse é o que lembro, apenas os abraços que consegui, os beijos me ofertou poucas vezes, felicidade de ouvir ela me chamar de filha poucas vezes depois de adulta, o que será que essa história me fez comigo, espero continuar me encontrando dentro desse baú.

Levante a mão quem não carrega dentro do seu baú seus segredos e medos inconfessáveis. Ah, pequena...tanta coisa a gente guarda lá dentro. Agora que vc já viu parte disso, Me diz o que vai fazer? Vc já tem parte do que precisa para romper o ciclo. Vai lá,força vc tem...
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